Os blocos estranhos da Asa Norte

Os blocos residenciais do Plano Piloto não são iguais e alguns têm projetos muito particulares. É o caso dos blocos F, G e I da 107 Norte, que chamam a atenção de tão destoantes do resto da quadra.

Construídos em 1965, seu projeto arquitetônico foi criado por dois arquitetos da Ceplan (Centro de Estudos e Planejamento da Universidade de Brasília): Mayumi Watanabe e Sérgio Souza Lima. Ali se aplicou o Brutalismo, uma corrente do Modernismo em que as estruturas dos prédios ficavam visíveis, sem a preocupação de escondê-las com outros elementos.

Construção de um dos blocos da 107 Norte em 1965

Em vez dos cobogós tão presentes pela cidade, os prédios utilizaram os brises, que são colunas verticais com a função de quebrar a entrada do sol. Outra característica peculiar são os azulejos de Athos Bulcão dentro dos blocos, em vez de estarem revestindo paredes nos pilotis.

Mayumi Watanabe, uma das arquitetas que criou os blocos

Os edifícios faziam parte de um projeto que acabou não saindo do papel: a Unidade de Vizinhança São Miguel (107, 108, 307 e 308 Norte), pensada para abrigar professores da UnB e membros do corpo diplomático da capital. A ideia era fazer algo similar à Unidade de Vizinhança da Asa Sul, com igreja, cinema, clube e escola atendendo os moradores das quatro superquadras.

Mas, com a mudança de governo em Brasília no fim dos anos 60, o projeto foi abandonado e apenas os três blocos já construídos permaneceram.

Os blocos diferentes ser tornaram uma atração para os jovens arquitetos da atualidade

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