Mais um pega no Caseb em 1979

Os pegas faziam parte do cotidiano de Brasília desde os primeiros anos da cidade. Ruas largas e vazias e muitos jovens sem opções de diversão pareciam ser a combinação perfeita para esse tipo de atividade. Mas o que começou como uma “brincadeira” foi se transformando em caso de polícia, muitas vezes com acidentes fatais. Essa matéria publicada no Correio Braziliense em agosto de 1979 mostra como a prática era comum na capital. Confira na íntegra:

“PEGUINHA” ACABOU MAL

Mais de 50 “filhinhos de papai” acabaram presos no Caseb

Após quase quatro meses de recesso, os playboys de Brasília voltaram a praticar os “peguinhas” (corridas de rua) na Av. W/5, Quadra 709, em frente ao Colégio Caseb. Cerca de 500 pessoas, entre “corredores” e espectadores estiveram presentes sábado último pela madrugada no maior pega já realizado em Brasília. No entanto, devido ao “ouriço” causado pelos “boyzinhos”, foi necessária a intervenção da polícia que, após cercar o local em mais de 15 viaturas, conseguiu prender cerca de 50 pessoas, todas “filhinhos de papai”, e mais de 20 carros envenenados foram recolhidos ao depósito do Detran, inclusive 10 motocicletas.

A área do Caseb sempre foi a preferida dos corredores clandestinos. Ali, diversos acidentes graves já ocorreram, apesar da Secretaria de Segurança sempre combater aquelas irregularidades. As próprias autoridades têm conhecimento de que muitos indivíduos que efetuam “pegas” no Caseb são ladrões e, para se divertirem, roubam carros para destruí-los no circuito improvisado.

Sábado último, pelo fato de estarem há tempos sem promover corridas clandestinas, os playboys resolveram atuar. Aproximadamente 15 carros alinharam-se na pista e o “pega” durou quase duas horas. Foi tal a confusão no local que os moradores não conseguiram dormir. Inicialmente telefonaram para a 1o Delegacia de Polícia, da Asa Sul, pedindo providências ao delegado de plantão Manoel Cláudio. E, diante da insistência dos prejudicados, aquela autoridade entrou em contato com a Secretaria de Segurança que, de seu lado, determinou à GOE – Grupamento de Operações Especiais para agir.

“FILHINHOS DE PAPAI” EM CANA

Eram aproximadamente duas horas da madrugada quando quase 15 viaturas da Polícia Civil e diversos agentes, todos sob o comando do delegado Manoel Cláudio, cercaram a área do Colégio Caseb. Todos que se encontravam no circuito improvisado, entre corredores e espectadores (estes normalmente vão até o local dos “pegas” para terem condições de fumar “gererê” à vontade) acabaram sendo surpreendidos pela polícia.

Verdadeiro pânico se formou no local. Todos queriam fugir de qualquer maneira, sem importar para onde. No final da operação policial, quase 50 “boyzinhos” foram presos e levados para a 1o DP, onde passaram a noite no xadrez e ainda ficaram fichados naquele distrito policial.

Os “corredores” que tiveram seus carros envenenados bloqueados pela cana-quente também passaram a noite na “gaiola”. Segundo a polícia, mais de 20 veículos e cerca de 10 motos foram recolhidas ao depósito do Detran.

PLAYBOYS NÃO TEMEM A POLÍCIA

Anteontem, domingo, no entanto, os playboys reuniram-se e dizendo que “não tememos a polícia” retornaram ao Caseb. Infernizaram toda a área com o “carrões” de escapamento livre. Novamente os moradores das imediações entraram em contato com a 1o Delegacia de Polícia. Desta vez, porém, estava de plantão o delegado Élcio Crisóstomo. A autoridade imediatamente atendeu aos pedidos. E, após montar esquema com a Polícia Militar, dirigiu-se para a área dos “peguinhas”. Como no sábado, “corredores” e espectadores, desta vez em menor número, fugiram em debandada geral.

Mas um Alfa Romeo, completamente irregular, segundo a polícia, foi rebocado para o depósito do Detran. Três pessoas foram presas e passaram o restante da madrugada no xadrez, somente ganhando liberdade ontem pela manhã, quando o sol já estava alto. O trio ficou fichado na 1o DP.

Ontem, em contato com moradores da Quadra 709 Sul e imediações, nossa reportagem policial ouviu protestos generalizados, mas todos acabaram pedindo à Secretaria de Segurança Pública para acabar de uma vez por todas com os “peguinhas”.

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