A história da Quadra 500 do Sudoeste

Nos anos 90, durante a construção do metrô, uma parte dos trilhos precisou passar em um terreno pertencente à Marinha. Em troca dessa área, a Terracap deu aos militares uma faixa de cerrado virgem próxima ao Memorial JK.

Área da Quadras 500 ainda com a vegetação nativa. Foto: TV Globo
Quadra 500 atualmente, já desmatada

Anos depois, a Marinha resolveu negociar essa área com a construtora Antares, trocando o local por 784 apartamentos em Águas Claras. O terreno foi posteriormente vendido para a Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários, que entrou com um pedido no GDF para construir 22 prédios residenciais e 6 edifícios comerciais no que seria uma expansão do Setor Sudoeste: a Quadra 500.

E aí começou toda uma disputa judicial. O Ministério Público do DF provou que essa área não poderia ser ocupada, já que, de acordo com o documento Brasília Revisitada, de Lucio Costa, o terreno nunca fez parte do Sudoeste. Ou seja: a Quadra 500 seria uma invenção.

As quadras 500 nunca estiveram no projeto de Lucio Costa para o Sudoeste. Imagem: Urbanistas por Brasília

Em resumo: a construção está em uma área que não deveria ser ocupada, devastando uma das últimas regiões de cerrado nativo no Plano Piloto, e ainda vai contribuir para piorar o trânsito, aumentar as bolhas de calor, o consumo de água e a produção de lixo e esgoto que não estavam previstos nos estudos de impacto ambiental do Sudoeste.  

Em agosto de 2019, o STJ autorizou a construção sob a alegação de que a obra vai gerar empregos e melhorar a questão da moradia no Distrito Federal. E desconsiderou todo o resto. A construtora não perdeu tempo e já desmatou tudo em tempo recorde, trabalhando até de madrugada.

As novas quadras do Sudoeste não foram previstas por Lucio Costa, criador do setor. Arte: Correio Braziliense

“A suspensão de licenças ambientais impede a realização de considerável obra de construção civil em área já consolidada para fins residenciais e comerciais, prejudicando, com isso, a política pública de geração de empregos diretos e indiretos, bem como a geração de renda e receita pública.” – Trecho da decisão do ministro João Otavio, do Superior Tribunal de Justiça

Brasília Revisitada, de Lucio Costa, publicado em 1987

“A Quadra 500 é um projeto feito para uma área que não poderia ser ocupada, não atende os requisitos de uma Superquadra, devastará importante área de cerrado nativo remanescente no Plano Piloto”- Urbanistas por Brasília

3 comentários em “A história da Quadra 500 do Sudoeste

  1. A assim denominada Quadra 500 é uma aberração no desenvolvimento do Plano Piloto da Capital. Sua história “cabeluda” é de fácil compreensão para quem conhece como se comportam aqueles que não tem respeito com as pessoas e que vivem do dinheiro fácil, conquistado com “jeitinhos” e “firulas” jurídicas. Sua implantação fere frontalmente o Plano Urbanístico de Brasília, considerada Monumento Tombado pelo IPHAN (!?) e declarado Monumento da Humanidade pela UNESCO. Brasília foi concebida para receber uma população de 500 000 habitantes. Não para crescer indefinidamente. .A população que acorre para a Área Central do país, desejável e uma das razões para a sua construção no interior do Brasil, deveria ser “ordenada” por meio de um Plano Regional, decorrente da sua inauguração, criando novas futuras cidades, situadas longe da Capital, embora a ela conectadas por vias diretas, de modo a evitar a “conturbação” com a mesma. O local onde é pretendida esta monstruosidade dentro das Grandes Áreas definidas como de baixa densidade, com poucas construções baixas e de preservação da flora nativa.
    Será um ESCÂNDALO GIGANTESCO dentro do escândalo da aprovação do projeto

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  2. Excelente medida do STJ ao liberar área para construção da quadra 500. Vários benefícios para a cidade, geração de emprego, impostos e criação de empresas na parte comercial. No ajuste com O GDF, convencionou-se que toda a infraestrutura será implementada pelo incorporador. Falta liberar a implosão do sudoeste econômico e otimizar a construção de prédios com seis andares.

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